terça-feira, 12 de maio de 2015

O Uso da Mandrágora na Idade Média Européia

 Mandrágora nativa florescida.
Fonte: http://4.bp.blogspot.com/-dZmaEfV7cBc/Tk8ZWOLeYAI/
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A mandrágora (Mandragora officinarum), nativa do Mediterrâneo, crescida em regiões de orlas e clareiras, é uma planta da família Solanaceae (a mesma do tomate). Possui as seguintes características: herbácea, sem caule, dotada de flores campanuliformes azuis (formato de sino) e frutos babáceos, conhecidos como a “maçã do diabo”, devido ao seu aroma e toxicidade, sendo considerada afrodisíaca pelos árabes. Além dos seus frutos, todas as partes desta planta apresentam uma certa toxicidade e podem ser prejudiciais aos humanos se consumidos de maneira errada. Sua toxicidade se deve a presença de alcalóides tropânicos, como a hiosciamina e hioscina, substâncias responsáveis pela amnésia causada pela ingestão dos frutos dessa solanácea. Apesar de todas as propriedades afrodisíacas, muitas das lendas, crenças e superstições eram devido à raiz bifurcada e retorcida que tinha formato antropomórfico.
Os primeiros registros da mandrágora datam de aproximadamente 2.000 anos, no tempo de Plínio “o Velho”, onde durante as campanhas militares os romanos mascavam pedaços da raiz para se anestesiar ao passar por uma cirurgia; e da bíblia nos capítulos de Gênesis e Cantares, onde é mencionada como suposto afrodisíaco. Posteriormente seu uso se tornou recorrente, pois se acreditava que “sua raiz de aspecto antropomórfico, teria sido inicialmente fabricada com a mesma terra com que Deus modelara Adão, o que teria dado lugar a supremacia dela sobre outros vegetais”. Isso se reflete pela aparição de uso de mandrágora em lendas como a lenda celta de “Tristão e Isolda”, que conta que os dois se apaixonaram ao tomar uma poção feita de mandrágora, meimendro e beladona. Durante o Renascimento ela também é citada por Shakespeare na obra “Romeu e Julieta”, e mais recentemente ela aparece na obra de J. K. Rowling, “Harry Potter e a Câmara Secreta” (1998), que conta parte da lenda que envolve a coleta da planta, e seus poderes curativos difundindo o conhecimento e a lenda sobre a espécie entre os jovens. Retornando a aparecer como fonte de cura no filme de Guillermo Del Toro, “O Labirinto do Fauno” (2006), onde a personagem principal se utiliza de uma raiz de mandrágora para tentar salvar sua mãe doente.

Representação da mandrágora em Harry Potter e a Câmara Secreta.
Fonte: http://2.bp.blogspot.com/-aRyqEn5L1gM/VKsGpXdsPOI/
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Foi durante a Idade Média que o vegetal ficou conhecido e muitas das suas lendas foram criadas. Devido a sua natureza narcótica e principalmente ao aspecto “humano” de sua raiz bifurcada e retorcida, ela era associada à feitiçaria e bruxaria, destinada a curar a loucura e a prática de exorcismos. Nesta época as lendas e superstições envolviam tudo sobre a planta, desde o seu nascimento até a sua colheita. De acordo com as crenças populares, a mandrágora crescia sob patíbulos, aonde caíam sêmens ejaculados por pessoas enforcadas. A pessoa afortunada que possuísse essa raiz em formato antropomórfico se assegurava que a planta teria gritado e matado quem a ouvisse, no momento em que foi arrancada do solo.
Dessa forma, sua colheita nunca era realizada por mãos humanas, pois os gritos agonizantes dessa “planta humana e descendente de um enforcado” eram extremamente perigosos para os ouvintes. Sendo assim, o procedimento de retirada da raiz era composto por diversas regras, a fim de salvaguardar a vida de quem a fosse arrancá-la. Primeiro, cava-se um buraco bem profundo ao redor da raiz, mantendo-a debaixo da terra e quieta, e, por fim, atar uma corda ao redor da raiz e em um pescoço de um cachorro de pelagem negra ou escura. Em seguida, a pessoa se afastava do local e chamava o animal para se aproximar dela, arrancando a raiz, matando o animal enforcado e agonizando com o grito mortal da mandrágora.
Representação da colheita de mandrágora.
Fonte: https://lostemplariosysuepoca.files.wordpress.com/2013/01/mandragoramini.jpg 
Aliado às práticas de cura que surgiram durante a Idade Média, o uso de plantas consideradas mágicas continuava sendo constante, tendo a elas sendo atribuídas poderes curativos. Ás raízes era atribuída uma especial importância, a elas atribuía-se um poder curativo devido ao seu estado “intermediário entre os elementos, como entre o vivo e o morto”. Porém, quando consumidos em altas doses levam a estimulação seguida de depressão, em doses baixas diminuem a secreção de saliva, brônquica e a sudorese. Variando-se a dose pode-se obter alucinações percebidas como reais, amnésia durante a intoxicação, perda dos sentidose sono profundo.

Raiz de mandrágora.

Fonte: https://teufelskunst.files.wordpress.com/2012/05/img_0701.jpg
 
Juntamente a outras duas solanáceas, a beladona e o meimendro, era muito associado à bruxaria e à feitiçaria pois permitiam realizar profecias e adivinhações. Também eram feitos unguentos com os quais poderiam obter o poder de voar. Conhecido como a “fórmula do voo”, era passado em algumas regiões do corpo e esfregado sobre alguns materiais que posteriormente eram colocados em contato com certas áreas do corpo, por exemplo, como um cabo de vassoura que recebia o esfregaço e era posicionado entre as pernas da “bruxa”, e ao entrar em contato direto com a mucosa vaginal o unguento era absorvido pelo organismo mais rapidamente. Por ser ingrediente de muitos feitiços e sempre estar envolta em mistérios e lendas a mandrágora era muito valorizada, chegando a ser podada para ter um formato mais humano e ter seu valor aumentado, pois quanto mais humana parecia maior poder lhe era atribuído.


Autoras: Ana Laura Furlan Blanco e Aline Campelo Mendes

Bibliografia utilizada:
  •  ANDRÉ, B.A.G. O Arsenal Farmacêutico da Antiguidade Clássica e da Idade Média. 2013. 135f. Tese (Mestrado em Ciências Farmacêuticas – Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade Fernando Pessoa, Porto. 2013. 
  •   MARTINEZ, S.T.; ALMEIDA, M.R.; PINTO, A.C. Alucinógenos naturais: um vôo da Europa Medieval ao Brasil. Química Nova, v.32, p 2501-2507, 2009.
  •   LIMA, J. (2010). Plantas e Dor. Contributo para o Estudo Etnoantropológico do Tratamento da Dor. Almada.
  •   LUENGO, M.B. Uma revisão histórica dos principais acontecimentos da imunologia e farmacologoia na busca do entendimento e tratamento das doenças inflamatórias. Revista Eletrônica de Farmácia, v.2, p 64-72, 2005.
  •   PEREIRA, M.M.D. Plantas medicinais e aromáticas das boticas conventuais da Universidade de Évora. In: Convento dos Nossa Senhora dos remédios e a Ordem do Carmo em Portugal e no Brasil, 1, 2013. Évora. Resumos... Évora: Universidade de Évora, 2013, p.1.
  •   PINHEIRO, M.E. Ciência e Magia na Idade Média: Fusão ou Dicotomia? Revista Labirinto, v.20. p.138-148, 2014.
  •   ÁVILA, V.; ARNAU, E. La botica Del monasteiro. La Medicina medieval actualizada. TikalEdiciones, Barcelona. 1999

Medicina popular: benefícios e precauções

O uso e o conhecimento de plantas como medicamentos é uma atividade muito antiga, antecedendo a história humana escrita, e simboliza, em muitos casos, o único recurso terapêutico de muitas comunidades e grupos étnicos atuais. Ao lado da domesticação e da agricultura, ocorreu a descoberta dos benefícios terapêuticos de algumas plantas, sendo que muitas das ervas e temperos usados ​​na alimentação, também são usados como compostos medicinais contra patógenos e infecções. Ao longo da história, observa-se o conhecimento progressivamente adquirido em relação às dosagens específicas para cada droga e ampliação da fabricação e administração dos remédios.
As angiospermas ainda são a fonte da maioria das plantas medicinais. Muitas das ervas daninhas comumente encontradas, como a urtiga e o dente-de-leão, apresentam propriedades medicinais. Pelo menos 12.000 compostos foram isolados até hoje, número estimado em menos de 10% do total. De acordo com a legislação brasileira, as plantas medicinais podem ser comercializadas em farmácias e herbanários, sendo que quando são processadas industrialmente, tornam-se fitoterápicos. Esse processo industrial, teoricamente, evita contaminações e padroniza a quantidade e a forma de utilização das plantas.

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) cerca de 80% da população mundial fez uso de algum tipo de erva no intuito de aliviar alguma sintomatologia dolorosa ou desagradável. Dessa porcentagem, 30% ocorreu por recomendação médica. No caso do Brasil, as principais plantas da medicina popular são as popularmente conhecidas como arruda, alecrim, babosa, bardana, boldo, catinga-de-mulata, capim-limão, carqueja, cavalinha e quebra-pedra.
Plantas medicinais comumente usadas. 
Disponível em: < http://mundoestranho.abril.com.br/materia/quais-sao-as-plantas-medicinais-mais-utilizadas>.
Dessa forma, “medicina popular” se refere ao uso de plantas para o tratamento de doenças e infecções, bem como na prevenção e redução dos efeitos dessas. Mesmo não sendo um termo usado com frequência, você provavelmente já se deparou com alguns de seus exemplares. É muito comum que, quando alguém está com dor no fígado ou estômago, escute a recomendação para “tomar” chá de boldo. Além do mais, é normal ouvir que plantas naturais fazem muito bem a saúde, e que podem ser utilizadas na cura de inúmeras doenças. Certo? Nem sempre! Primeiramente, é importante ressaltar que muitos compostos utilizados para a fabricação de medicamentos são retirados de plantas. Entretanto, embora haja uma generalização desse conceito, existe uma variedade de plantas medicinais que, dentre outras propriedades prejudiciais ao organismo humano, são providas de alto teor de toxicidade. Dessa forma, é importante buscar informações com profissionais da saúde e ter um cuidado maior quando gestantes, lactantes, crianças e idosos forem utilizar esses produtos.
Outro aspecto resultante da defasagem desse conceito é subestimar as propriedades medicinais das plantas, fazendo uso delas de forma aleatória. Assim, é importante salientar que substâncias alimentícias, tóxicas e medicamentosas diferem apenas em relação à dose, a via de administração e a finalidade com que são empregadas. O chá de boldo, por exemplo, em pequenas doses pode aliviar dores no fígado e do aparelho digestório, porém, em grandes quantias, pode atuar como um poderoso analgésico capaz de mascarar sintomas de uma enfermidade grave, podendo causar irritação gástrica e até abortos (FRANÇA et. al, 2008).
Além disso, uma dúvida que fica é: como fazer para usar as plantas corretas? Ou seja, como identificá-las corretamente para evitar possíveis toxinas? No caso do “boldo” trata-se de uma espécie, um grupo ou só de plantas parecidas? No Brasil, há três espécies de “boldo”: boldo do Chile (Peumus boldus), falso boldo (Plectranthus barbatus) e boldo baiano (Vernonia condensata). As duas primeiras espécies podem causar efeitos colaterais em humanos, trazendo a tona outro problema: um mesmo nome popular pode incluir várias espécies botânicas, ou uma mesma espécie pode apresentar várias denominações populares. Sendo assim, é muito importante verificar qual espécie de planta está sendo usada (MAURO et. al, 2008).


Chá de boldo: produto bastante utilizado na medicina popular,
 principalmente contra problemas do trato digestivo.

Disponível em: <
http://www.bolsademulher.com/sites/
www.bolsademulher.com/files/medicina-alternativa/beneficios-cha-de-boldo1.jpg>.
Por ultimo, mas não menos importante, as plantas medicinais podem reagir com medicações alopáticas e prejudicar a saúde do individuo. Por exemplo, por serem produtos xenobióticos, isto é, substâncias estranhas ao sistema biológico, os fitoterápicos empregados no período pré-operatório podem afetar o ato anestésico ao interagir com os agentes anestésicos.
Dessa maneira, é essencial o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais. Para isso, é preciso ter as informações necessárias sobre o uso, a origem, a identificação e o modo de preparo correto dessas plantas. Assim, órgãos, como a Sociedade brasileira de Plantas Medicinais, têm como objetivos possibilitar, facilitar e estimular o aprimoramento científico e tecnológico na área de Plantas Medicinais nativas ou cultivadas. Nada impede um indivíduo de utilizar folhas que tenha no quintal de casa e fazer um chá para aliviar certos sintomas. Todavia, com a grande diversidade vegetal e cultural do Brasil, alguns cuidados devem ser tomados, sendo que a regulamentação e os incentivos à pesquisa podem abrir diversos caminhos neste vasto território, de modo a propiciar que a população faça uso desses recursos naturais com maior eficácia e segurança.

  

Autores: Marino da Motta Nanzer, Rafael Farina, Silvia Sayuri Mandai e Vanessa Thomé.


  
Bibliografia utilizada: 
  

terça-feira, 5 de maio de 2015

Plantas, superstições e crenças no Brasil

O conhecimento tradicional do uso e aplicação das plantas na saúde e em crenças populares é resultado do acúmulo de práticas adquiridas por determinada sociedade ao longo do tempo, com seus valores, crenças, descobertas e vivências.
No Brasil, o sincretismo religioso, como uma dessas práticas, é reflexo da influência dos povos europeus, africanos e indígenas, e é responsável por um rico legado de costumes ritualísticos utilizados ao longo da história. A herança étnica brasileira resulta da transmissão, geração após geração, de conselhos e práticas de magia, informações sobre o poder de ervas medicinais e saber de curandeiros e rezadores, estes frequentemente considerados conhecedores dos elementos indicados para cada necessidade e geralmente muito respeitados em sua comunidade.
Vaso 7 ervas
 http://www.jardimdasideias.com.br/707-aprenda
_a_fazer_seu_vaso_7_ervas_e_atrair_boa_sorte.
Nas religiões de origem africana, as plantas estão presentes, em banhos de purificação, bebidas e comidas de rituais, remédios e cremações em incensórios. A utilização ritualística varia segundo as diferentes situações de caráter cerimonial, nas quais a planta recebe um valor simbólico. Nos rituais, os orixás determinam a cada planta os poderes mágicos e curativos que lhes cabem. O efeito causado pelas plantas está associado aos seus componentes alcalóides de ação psicoativa, que agem no sistema nervoso central, levando ao transe. Um exemplo é a Cola acuminata (Malvaceae), a noz-de-cola, que segundo os usuários, atua no “esclarecimento de ideias”, diminuição de sono e cansaço e aumento da fome.
Nos rituais de origem indígena, pode ser citado o uso de uma bebida amazônica psicoativa, a ayahuasca (em quíchua, “aya” = alma; “wasca” = cipó; “corda da alma”), que possui em sua composição a Banisteriopsis caapi (Malpighiaceae) e  Psychotria viridis (Rubiaceae), fervidas juntas durante muitas horas. Segundo as crenças indígenas, os xamãs que consomem bebidas à base dessas plantas o fazem para entrarem em comunicação com os espíritos, a fim de descobrir as causas das doenças e curá-las.
Outra bebida bastante conhecida e utilizada por povos indígenas é o vinho da Jurema (Mimosa hostilis (Fabaceae)), que também é consumido em cerimônias religiosas de influência africana. Os rituais são influenciados por ambas as tradições religiosas, principalmente no Nordeste. Segundo as crenças, os médiuns ingerem a bebida para chamar e incorporar entidades. Os efeitos dos alcalóides presentes na planta incluem alterações no humor, euforia, depressão, ansiedade, distorção da percepção temporal e espacial, despersonalização (efeitos semelhantes ao LSD). A despersonalização dos médiuns, provocada pela bebida, seria interpretada como a nova identidade assumida por esses durante o transe.
Algumas plantas também são largamente ligadas a crenças e superstições, sendo seu uso amplamente difundido via tradição oral e praticado em diversas regiões do Brasil e do mundo, por meio de diversos métodos, como banhos, defumadores, benzeduras e rezas, além do uso decorativo. Por exemplo, algumas plantas são popularmente conhecidas contra o “mau-olhado”, que, para alguns benzedores, seria quando “a pessoa está com a vista baixa, sonolenta e abrindo muito a boca”.  Por vezes, uma planta é utilizada para mais de um fim, e, outras vezes, diversas plantas são associadas para “aumentar ainda mais seus poderes e vibrações”, como o vaso 7 ervas, composto por arruda, guiné, alecrim, comigo-ninguém-pode, espada de São Jorge, manjericão e pimenteira.  

Abaixo, estão relacionadas algumas plantas mais comuns e seus fins em superstições populares:
·         Alecrim (Rosmarinus officinalis) - faz a energia circular, evitando o acúmulo de vibrações negativas.
     Alho (Allium cepa) -  afasta os maus espíritos de uma casa. No Oriente, é usado para trazer de volta as almas perdidas em cerimônias religiosas.
     Arruda (Ruta graveolens) - repele maus fluidos. Nas benzeções, o ramo de arruda é usado para aspergir água no benzido, purificando-o. Quando usadas para benzer, as folhas ficam murchas porque recebem o malefício que estava no doente. O banho com arruda combate todos os tipos de mau-olhado. Também é utilizada na umbanda, como erva para curar "maus fluídos, inveja, olho-grande".
     Camomila (Matricaria recutita) - simboliza prosperidade e afasta o “olho gordo”.
     Comigo-Ninguém-Pode (Dieffenbachia picta) - repele e anula energias negativas. Quando murcha, é porque absorveu as energias negativas, e deve ser jogada fora.
     Espada-de-São-Jorge (Sansevieria trifasciata) - devido a seu aspecto, foi associada ao poder de cortar vibrações negativas e todo tipo de magia.
     Guiné (Petiveria alliacea) - espanta maus espíritos, inveja e mau-olhado.
     Louro (Laurus nobilis) - folha guardada dentro da carteira atrai dinheiro.
     Manjericão (Ocimum basilicum) – afasta os maus pensamentos e azar.
     Pimenta (Capsicum sp.)- ao entrar em contato com energia ruim ou quando ambiente está "carregado", a pimenteira absorve e neutraliza a negatividade e seca completamente. Está associada ao poder de estimular a vitalidade, melhorar o astral e atrair boas energias para o amor.
     Sálvia (Salvia sp.)- poderosa erva de proteção, afasta mau-olhado. Erva das feiticeiras, entra na composição de magias de proteção.
     Trevo-de-quatro-folhas (Trifolium sp.)- Símbolo de boa sorte, além de atrair prosperidade e felicidade. Sua raridade o transformou em um poderoso amuleto.


Autores: Juliana Toshie Takata, Maiara Albanez Pereira, Rafaella Eduarda Volpi, Renan Lopes Rodrigues.


Bibliografia utilizada:





A Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil

        A segurança alimentar e nutricional (SAN) cabe não somente a qualidade dos alimentos produzidos, distribuídos e comprados, mas também o acesso regular e permanente de alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais, tendo como base práticas alimentares promotoras de saúde que respeitem a diversidade cultural e que sejam ambiental, cultural, econômica e socialmente sustentáveis (Art. 3º da Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional – LOSAN). Para tornar isso possível, a Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN) promove algumas ações para que os alimentos sejam produzidos, comercializados e cheguem aos consumidores, promovendo programas, fomentando projetos e ações que tornem isso possível. Porém, tendo em mente que “a segurança alimentar pode ser favorecida tanto pela renda maior como pela estabilidade ou regularidade dessa renda” (Hoffmann, 2013) podemos inferir que uma boa parte da população brasileira vive uma insegurança alimentar.
       As ações da SESAN estão estruturadas em três eixos: produção, comercialização e consumo, sendo esses tratados pelos seus respectivos departamentos. O Departamento de Fomento à Produção e à Estruturação Produtiva (DEFEP) é responsável pelo eixo da produção, coordenando ações de fomento à produção de alimentos e à inclusão produtiva da população de insegurança alimentar e nutricional. O Departamento de Apoio à Aquisição e à Comercialização da Produção Familiar (DECOM) é responsável pelo eixo da comercialização. Ele coordena as ações de apoio à produção, comercialização e distribuição de alimentos, visando a implementação de sistemas locais de abastecimento. O Departamento de Estruturação e Integração de Sistemas Públicos Agroalimentares (DEISP) é responsável pelo eixo do consumo. Compete a esse órgão as ações de promoção do acesso à alimentação adequada.  (www.mds.gov.br)
           O termo "Segurança alimentar e nutricional" só foi implementado no Brasil no fim do séc XX, ao contrário dos países europeus, que já tinham essa preocupação desde o início do século. Uma demonstração da demora brasileira esta que, apenas em 2010 o texto constitucional foi mudado, acrescentando a alimentação como direito social de todo cidadão, apesar de "o direito fundamental de estar livre de fome" ter sido reconhecido em 1976 no International Covenant on Economic, Social and Cultural Rights, o qual o Brasil estava como signatário (Belik, 2012). A atenção e utilização do termo SAN teve início na década de 1990, após uma Conferência Internacional sobre Nutrição, realizada em 1992 e promovida pela ONU, onde foi definido um plano de ação mundial para o combate a fome (Belik, W. 2012). Desde então, foram feitos diversos programas pelo governo para que a SAN fosse cumprida, como o Projeto Fome Zero, mas ainda há dificuldades.
            O Projeto Fome Zero foi lançado no Brasil em 2001 e a sua proposta se baseia em três níveis: estrutural, específico para alimentação e local. No nível estrutural estão as políticas mais gerais voltadas para as transformações das condições de vida da população e pelas manutenção das melhorias conquistas por outros projetos sociais. O nível específico para alimentação trata de ações que aumentam a oferta e oferecimento de alimentos para os cidadãos. Por último, no nível local são examinados as condições peculiares de cada área e região brasileira. (Belik, 2012)
      Segundo Hoffman, a renda domiciliar per capita pode ser considerada o principal determinante da insegurança alimentar, ou seja, é um fator limitante para que as famílias tenham acesso a alimentação de qualidade sem que isso comprometa o acesso as demais necessidades. Outros fatores importantes que alteram o índice de insegurança alimentar são: a estabilidade da fonte de renda, o nível de escolaridade, a situação urbana ou rural e a região que se habita. De 2004 a 2009 houve um aumento de 40% na renda real per capita mediana e a escolaridade mediana das pessoas de referência dos domicílios também aumentou. Em função disso houve uma redução efetiva das taxas de insegurança alimentar moderada e de insegurança alimentar grave.
            Portanto, podemos concluir que para que haja uma melhoria significativa na segurança alimentar no Brasil como um todo é necessária a implantação de programas que aumentam a renda per capita e a escolaridade da população brasileira. A forma de agricultura e os planos de manejo das áreas agrícolas alteram pouco os índices de segurança alimentar e nutricional, pois no modo de comercialização e disponibilidade de alimentos atualmente implantado no Brasil a quantidade e qualidade dos alimentos de uma família depende mais da sua renda e menos da produção nacional e regional de comida. Nos últimos anos houve um aumento importante nos índices de renda familiar e educação, melhorando a situação de muitas famílias, como foi dito anteriormente, porém há muito que precisa ser melhorado ainda para haver uma situação de segurança no país como um todo.
       

Autores:  Laura Braun Cano; Luiza Mendonça; Olivia Ambrozini; Wendy Ishimoto.


Bibliografia utilizada:

  • Belik, W. A Política Brasileira de Segurança Alimentar e Nutricional: concepção e resultados. Segurança Alimentar e Nutricional, Campinas, 19(2): 94-110, 2012.
  • Hoffmann, R. Determinantes da insegurança alimentar no Brasil em 2004 e 2009. Segurança Alimentar e Nutricional, Campinas, 20(2):219-235, 2013.
  • Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional – SESAN. Disponível em: <http://www.mds.gov.br/segurancaalimentar>. Acesso em: 29 abril 2015.



terça-feira, 28 de abril de 2015

Bebidas Estimulantes Não Alcoólicas

As, tão mundialmente famigeradas, bebidas energéticas tiveram sua aurora no mercado na década de 80 e, desde então, experimentam um profundo crescimento no seu consumo, sobretudo pelos jovens. Inicialmente, as substâncias estimulantes eram utilizadas por esportistas, visando o incremento da resistência física e melhoras no seu desempenho. Além desse aspecto, o consumo crescente resulta da busca por horas extras de concentração, evitando o sono e garantindo o bem-estar. A Organização Mundial da Saúde (OMS) sugere que as “bebidas energéticas” sejam denominadas “bebidas estimulantes”, devido à sua composição e seus efeitos.
fonte desconhecida
De acordo com o SafeFood, as bebidas estimulantes são aquelas compostas por cafeína, taurina e vitaminas, podendo conter uma fonte de energia (carboidratos) e/ou outras substâncias, comercializadas com propósito específico de fornecer real ou perceptiva melhoria psicológica ou efeitos na performance. No Brasil, a Resolução RDC n° 273 de 22-09-05 do Ministério da Saúde visa a fixação dos requisitos mínimos de características e qualidade para as bebidas denominadas “Composto Líquido Pronto para o Consumo”, definidas como produtos que contém como ingrediente(s) principal(is): inositol e/ou glucoronolactona, e/ou taurina, e/ou cafeína, podendo ser adicionada de vitaminas e/ou minerais até 100% da Ingestão Diária Recomendada (IDR) na porção do produto, podendo ser adicionados outros ingredientes desde que não haja a descaracterização do produto. As bebidas estimulantes não alcoólicas pertencem à classe dos “alimentos funcionais”, que, segundo a Secretaria de Vigilância Sanitária do Ministério da Saúde, são aqueles que, além das funções nutritivas básicas, quando consumidos como parte da dieta usual, produza efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou efeitos benéficos à saúde, devendo ser seguro para consumo sem supervisão médica. O crescimento do consumo de bebidas estimulantes não alcoólicas observado mundialmente, é reflexo do desenvolvimento do mercado de alimentos funcionais e se deve dentro outros fatores, à mudança nas atitudes e expectativas dos consumidores, bem como à crescente compreensão da ligação entre os constituintes das dietas e dos processos fisiológicos e avanços na ciência e tecnologia de alimentos.
Um dos componentes mais difundidos e utilizados no mundo todo é a cafeína. O consumo regular se faz importante e crucial para algumas economias e, no Brasil, figura como elemento cultural amplamente difundido. É um dos ingredientes ativos principais de bebidas estimulantes não alcoólicas como por exemplo, o café e o chá (60 a 80 mg/250 ml), e está presente em muitos medicamentos, refrigerantes e diuréticos. A cafeína é um alcalóide purínico da classe das metilxantinas (1,3,7-trimetilxantina), de ocorrência natural em folhas de mate, café, cacau, noz de cola. Seus efeitos alteram a função normal da célula, de modo que estimula o Sistema Nervoso Central (SNC), podendo acarretar em aumento dos batimentos cardíacos, da taxa de metabolismo basal, da secreção ácida estomacal e da diurese.
Outro ingrediente ativo das bebidas estimulantes é a taurina, ou ácido 2-amino-etano-sulfônico, um dos aminoácidos mais abundantes no corpo humano, e presente em alimentos como carne, leite e frutos do mar. Um aspecto importante com relação à taurina presente nas bebidas estimulantes, e que ajudam a explicar o consumo crescente destas por jovens, é a sua ingestão juntamente com bebidas alcoólicas. Ferreira et al. sugere que as bebidas estimulantes poderiam prolongar os efeitos excitatórios do álcool, possivelmente por uma modulação da neurotransmissão gabaérgica (relacionada ao ácido gama-amino-butírico).
O guaraná, componente ativo de algumas bebidas estimulantes, é uma planta nativa da América do Sul, encontrada principalmente na Venezuela e no Brasil. Seu componente principal é a guaranina, substância quimicamente idêntica à cafeína. No Brasil, os estados produtores de guaraná são o Acre, Amazonas, Rondônia, Pará, Bahia e Mato Grosso. O efeito estimulante do guaraná é similar ao da cafeína, sendo que 1g de guaraná contém o equivalente a 40mg de cafeína. Tem sido relatado que o guaraná exerce um efeito mais prolongado que o equivalente médio de cafeína, devido ao teor lipídico de sua semente e de substâncias como o ácido tânico que fazem com que a liberação da guaranina seja mais lenta do que a da cafeína.
A glucoronolactona, por sua vez, é um ingrediente ativo das bebidas estimulantes que pode ser encontrada em vegetais que contêm gomas. A goma xantana é um exemplo de goma formada por unidades de manose e ácido glucorônico. No Brasil, a legislação referente às bebidas energéticas estabelece o limite máximo de glucoronolactona em 250 mg/100 mL.
O surgimento das bebidas estimulantes no mercado é relativamente recente, de modo que ainda existe muitas controvérsias a respeito das concentrações adequadas de uso e dos reais efeitos destes ingredientes no organismo. Dessa forma, são necessários mais estudos a fim de melhor esclarecer estes conceitos, bem como sobre as interações destes componentes com o álcool, visto que os principais consumidores são os jovens, que combinam, muitas vezes o álcool com a bebida estimulante.


    Autores: Andersom Rosário Prado, Danilo Sasso Augusto, Gabriel José de Carlo, João Pedro Trevisan dos Santos, Vitor Antonelli Breda
    

Bibliografia utilizada:  
  • CANELA, M. D. et al. Consumption of stimulant drinks and consequent ingestion of phenolic compounds and caffeine. J. Brazilian Soc. Food Nutr., São Paulo, SP, v.34, n.1, p.143-157, 2009.
  • CARVALHO, J. M. et al. Perfil dos principais componentes em bebidas energéticas: cafeína, taurina, guaraná e glucoronolactona. Rev Inst Adolfo Lutz, v.65, n.2, p.78-85, 2006.
  • FERREIRA, S. E. et al. O efeito das bebidas alcoólicas pode ser afetado pela combinação com bebidas energéticas? Um estudo com usuários. Rev Assoc Med Brás. v.60, n.1, p.48–51, 2004.
  • FINNEGAN, D. The health effects of stimulant drinks. British Nutrition Foundation Nutrition Bulletin, v.28, p.147–155, 2003.
  • HILLIAM, M. The Market for Funcional Foods. Int Dairy Journal. v.8, p.349– 53, 1998.
  • SAFEFOOD - The Food Safety Promotion Board. A review of the health effects of stimulant drinks - Final report. 2002. Acesso em 24 de abril de 2015. Disponível em: http://www.safefoodonline.com/pdf/health_effects_of_stimulant_drinks.pdf A Review of the Health Effects of Stimulant Drinks
  • SILVA, K. C. M da, et al. Importância dos alimentos funcionais e a introdução de ogms na dieta humana. 9º Simposio de Ensino de Graduação, 2011.

Drogas Psicotrópicas

    Drogas psicotrópicas, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS, 1981), são aquelas que “agem no Sistema Nervoso Central (SNC) produzindo alterações de comportamento, humor e cognição, possuindo grande propriedade reforçadora sendo, portanto, passíveis de auto-administração”.  Essas drogas levam à dependência e seu uso não é sancionado pela medicina.
   Dentre as diversas classificações existentes para esse tipo de drogas, o pesquisador Chaloult as dividiu em três grandes grupos: (1) Drogas depressoras, que diminuem a atividade do SNC, apresentando como consequência sintomas como sonolência, lentidão psicomotora, entre outros, sendo exemplos dessas o álcool, inalantes e benzodiazepínicos; (2) Drogas estimulantes são as que estimulam a atividade do SNC, causando uma diminuição do sono, aumento da atividade motora, e em elevadas doses podem produzir até alucinações e delírios, dentre essas se encontram a cocaína e seus derivados (crack, merla, pasta, etc.); e (3) Drogas perturbadoras – causam uma mudança qualitativa no funcionamento do SNC, ou seja, produzem alterações mentais como delírios e ilusões, podendo ser chamadas também de psicoticomiméticas, por mimetizarem psicoses, entre essas estão à maconha e alguns medicamentos anticolinérgicos.
   O álcool etílico pode ser obtido a partir de vegetais ricos em açúcar, como a cana-de-açúcar, a beterraba e frutas com grande quantidade de amido, extrato da mandioca, do arroz e do milho, e da celulose extraída dos eucaliptos. A maior parte do álcool produzido hoje em dia para o comércio é obtida através da cana-de-açúcar. Após o corte ela é transportada à usina e moída. Este processo produz um caldo, a garapa, e o bagaço, parte sólida, rica em celulose. O bagaço é utilizado para geração de energia e a garapa para obtenção do açúcar e do álcool. A obtenção do álcool é feita através da fermentação, com adição de água e ácido. Os microorganismos, ao se alimentarem, produzem enzimas que catalizam a transformação do açúcar em álcool. Esse processo tem duração de 50 horas e o álcool obtido eqüivale a 13% do volume do mosto inicial. Ao final da fermentação, inicia-se a destilação para separar o álcool. O álcool é uma das poucas drogas psicotrópicas cujo consumo é permitido e até incentivado pela sociedade, por questões políticas e econômicas. Entretanto, o consumo excessivo de bebidas alcoólicas causa dependência (alcoolismo) e leva a sérios problemas de saúde, além de problemas sociais, como acidentes de trânsito e violência. Nos primeiros momentos após a ingestão de álcool, podem aparecer os efeitos estimulantes como euforia, desinibição e loquacidade. Com o passar do tempo começam a aparecer os efeitos depressores como falta de coordenação motora, descontrole e sono. Quando o consumo é muito exagerado o efeito depressor fica elevado e podendo chegar ao estado de coma.
   Os benzodiazepínicos estão entre os medicamentos mais utilizados no mundo tendo como principais exemplos o Diazepan e o Lorazepan. Atuam no neurotransmissor gabaérgico facilitando ação de GABA acentuando o processo inibitório do SNC, provocando efeito depressor deixando a pessoa mais tranquilas e sonolentas.
   A cocaína é extraída das folhas da Erythroxylon coca, conhecida popularmente como coca, planta que ocorre exclusivamente na América do Sul. Podendo ser produzida na forma de um sal (cloridrato de cocaína) que é solúvel em água, pode ser aspirado ou dissolvido em água para uso endoveno, ou ainda sob forma de uma base, o crack, que é pouco solúvel em água, mas é volátil, e portanto pode ser fumada em “cachimbos”. Acentua a ação da Dopamina e da Noradrenalina, como estes são excitatórios ocorre a estimulação do SNC produzindo euforia, ansiedade, estado de alerta,etc.
   Maconha é o nome utilizado no Brasil para a planta Cannabis sativa ou Cannabis indica. Este vegetal trata-se de um arbusto originário da Ásia e conhecido há cerca de 6000 anos pela humanidade. Os efeitos da droga dependem de um composto chamado tetraidrocanabinol (THC) presente no óleo que recobre os brotos das cannabis fêmeas. As folhas de cannabis podem ser consumidas, em sua forma mais comum, em cigarros ou também adicionadas a massas de bolo para serem ingeridos.
   Os opiáceos são substâncias com diversas atividades farmacológicas. Estas substâncias são extraídas de uma planta, chamada Papaver somniferum, popularmente chamada de papoula do oriente. Quando se seca o suco obtido a partir do corte da cápsula da papoula verde, obtém-se o pó de ópio. Este pó inclui diversas substâncias, incluíndo a morfina, um forte neurodepressor do SNC, e a codeína. Também é possível se obter outras substâncias com atividade no SNC, a partir da manipulação química dos compostos originais presentes no ópio. A heroína é um exemplo disto, sendo obtida a partir de uma pequena modificação da morfina.


Autores: Carla Kuhl, Elis Regina Mesquita, Isabela Gerdes Gyuricza, José Ikeda Neto e Marcela Oliveira.

Bibliografia utilizada:

  • CARLINI, E.A. Drogas Psicotrópicas. Em: Noto, A.R.; Nappo, S.; Galduróz, J.C.F.; Mattei, R. e Carlini, E.A. III Levantamento sobre o Uso de Drogas entre Meninos e Meninas em Situação de Rua de Cinco Capitais Brasileiras – 1993. Centro Brasileiro de Informação sobre Drogas Psicotrópicas – Departamento de Psicobiologia – Escola Paulista de Medicina, 1994. pp. 93-97.
  • CARLINI, Elisaldo Araujo et al. Drogas Psicotrópicas - O que são e como agem. Revista Imesc, São Paulo, n. 3, p.9-35, 2001.
  • GOODMAN, Louis Sanford; Gilman, Alfred;  Hardman, Joel G; Limbird, Lee E; Gilman,  Alfred Goodman. Goodman e Gilman as  bases farmacológicas da terapêutica. 9.  ed. Rio de Janeiro: McGraw-Hill, c1996. xxi,  1436 p., il.
  • http://www.ebah.com.br/content/ABAAAASVoAK/producao-alcool, acesso em 27/04/2015.
  • http://apps.einstein.br/alcooledrogas/novosite/drogas_maconha.htm, acesso em 27/04/2015.


terça-feira, 14 de abril de 2015

À mercê das demandas e mudanças globais

A agricultura teve seu início ainda na pré-história, quando comunidades de caçadores e coletores perceberam que sementes enterradas davam origem a plantas iguais às originais. O cultivo do solo se desenvolveu por milhares de anos, aumentando significativamente sua produtividade e uso de tecnologias ao longo do tempo. Com o aumento da demanda por matérias-primas na Revolução Industrial, técnicas como o uso de máquinas ao invés de animais foram inventadas para aumentar a colheita. Ademais, não podemos deixar de citar a Revolução Verde, que foi responsável pela implantação das técnicas que são ainda utilizadas na agricultura em larga escala, como o uso de fertilizantes sintéticos, agrotóxicos, sementes híbridas e manipulação genética. Este processo ocorreu em meados do século XX, tendo como principal líder o americano Norman Borlaug, que acabou por ganhar o Nobel da Paz por seus esforços em pesquisas de melhoramento agrícola.
            No entanto, como previu o economista Thomas Malthus no século XIX, o aumento da produção material encontra um limite no esgotamento da capacidade dos ecossistemas, o que tem levado atualmente a um fortalecimento do movimento contracorrente, retomando valores do período pré-Revolução Industrial. Em países de capitalismo avançado já é notável a preferência por um tipo de cultivo diferenciado, indubitavelmente mais sustentável e harmônico com o meio ambiente.
Assim, estas alternativas ao sistema tradicional de produção agrícola vêm sendo buscadas a fim de solucionar alguns dos problemas da sociedade atual: a fome, as mudanças ambientais e a perda da biodiversidade, questões em que as políticas de cultivo da terra tem importância decisiva. A agricultura familiar é uma prática que, frente a essas problemáticas globais, vem recebendo cada vez mais incentivos de órgãos micro-empresariais e políticos, abrangendo conceitos socias, econômicos, ambientais e de conservação biológica.
            Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura, a agricultura familiar é definida como o meio de organização agrícola, silvicultura, pesca, pastoreio e produção de aquaculturas, que são manejadas e operadas por uma família e predominantemente nas propriedadas familiares. A família e a terra estão unidas e co-evoluem e combinam funções econômicas, ambientais, sociais e culturais. Não há um padrão em termos de tamanho, acesso ao mercado, características do plantio, e, portanto, cada uma apresenta necessidades e sistemas de inovações diferentes.
            As técnicas tradicionais latifundiárias que visam o suprimento em grande escala do mercado, tanto regional quanto internacional, já mostraram serem ineficientes em longo prazo, afetando, a priori, a manutenção dos ciclos naturais, biodiversidade e as relações ecológicas, e em última instância o bem-estar social e econômico. Desse modo, a busca por alternativas de curto e longo prazo vêm se tornando alvo de corporativas a fim de garantir a própria estabilidade no mercado competitivo, assim como a conscientização em relação à questão ambiental.
            No Brasil, a agricultura familiar foi definida por lei em 24 de Julho de 2006. Mesmo sob adversidades como insuficiência de terras e capital, e dificuldades no financiamento, a agricultura familiar responde por cerca de 35% do PIB nacional, e 84% dos estabelecimentos agropecuários do país são familiares, empregando a grande maioria dos trabalhadores agropecuários do país.

Selo da Identificação da Participação da Agricultura Familiar
criado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário,
 que informa ao consumidor se o produto comprado é
 ou não oriundo de atividade de agricultura familiar registrada.
A agricultura familiar é responsável por cerca de 70% dos alimentos produzidos no Brasil. Devido a essa enorme influência e a preocupação com o seu reconhecimento, o Ministério do Desenvolvimento Agrário criou, em 2009, o Selo de Identificação da Participação da Agricultura Familiar (SIPAF), que identifica os produtos de origem majoritária da agricultura familiar, ampliando a visibilidade desse tipo de produção e fortalecendo a identidade social da agricultura familiar junto aos consumidores.

A agricultura familiar é considerada uma prática interna da agroecologia capaz de promover o desenvolvimento sustentável. Em agroecossistemas, a própria biodiversidade realiza uma variedade de serviços que vão além da produção alimentícia, incluindo ciclagem de nutrientes, regulação do micro-clima e processos hidrológicos locais, supressão de organismos indesejáveis e desintoxicação do solo. Em curto e longo prazo, esse tipo de manejo garante continuidade no fornecimento de insumos e geração de riqueza, não apenas para o setor agropecuário, mas para a própria economia do país, o que ajuda a entender a importância estratégica essa forma de produção.


Autores: Aline Maria Lucchetta, Enrico Cerioni Spiropulos Gonçalves e Rodrigo Guedes Hakime. 


Bibliografia utilizada: 

  • ABELE S., FROHBERG K. Subsistence Agriculture in Central and Eastern Europe: How to Break the Vicious Circle? Institut Für Agrarentwicklung ung in Mittel-Und Osteuropa (IAMO), 2003.
  •  ABRAMOVAY, R. Alimentos versus população: está ressurgindo o fantasma malthusiano? Cienc. Cult. vol.62 no.4 São Paulo Oct. 2010
  •  ALTIERI M. A. The ecological role of biodiversity in agroecosystems. Agriculture, Ecosystems and Environment, Vol. 74, p. 19-31, 1999.
  •  BARNABA B. J. E. A Policy Paper on Moving Beyond Subsistence Farming and Investing in Modern Agriculture to Enhance Rural Development in South Sudan. Nyamilepedia, publicado online em 2015 <http://nyamile.com/2015/02/22/a-policy-paper-on-moving-beyond-subsistence-farming-and-investing-in-modern-agriculture-to-enhance-rural-development-in-south-sudan>
  •  FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS (FAO). Rural and Tribal Woman in Agrobiodiversity Conservation – An Indian case study. India, 2002.
  •  FOOD AND AGRICULTURE ORGANIZATION OF THE UNITED NATIONS (FAO). The State of Food and Agriculture – Innovation in family farming. Rome, 2014.
  • GLIESSMAN S. R. Agroecology: the Ecology of Sustainable Food Systems. CRC Press, 2006.
  •  HUSSAIN I., RASCHID L., HANJRA M. A., HOEK W. Wastewater use in Agriculture: Review of Impacts and Methodological Issues in Valuing Impacts. Working Paper 37. Colombo, Sri Lanka: International Water Management Institute, 2002.
  •  SIMS J. T., SIMARD R. R., JOERN B. C. Phosphorus Loss in Agriculture Drainage: Historical Perspective and Current Research. Journal of Environment Quality, Vol. 27, p. 277-293, 1998.