terça-feira, 7 de abril de 2015

Impactos ambientais da produção de açúcar e álcool

A cana-de-açúcar foi a primeira cultura introduzida no Brasil, há aproximadamente quatrocentos anos, visando a produção do açúcar, que na época tinha alto valor de mercado. No entanto, com a problemática da poluição pelos combustíveis fósseis e com a implantação do programa Pró-Alcool, em 1975, seu uso para a produção de etanol ganhou imensa força no Brasil. Como os passos iniciais para a produção de álcool e açúcar são basicamente os mesmos, os problemas ambientais em sua cadeia apenas se agravaram.
Por volta de 2010, o Brasil era responsável por cerca de 40% da produção de álcool mundial, da qual 80% era consumida no mercado interno. Em relação ao açúcar, o país é o maior produtor e exportador global, com cerca de 20% da produção e 40% das vendas no mercado internacional.
Monocultura extensiva da cana de açúcar: um grande problema ambiental.
http://www.ecodesenvolvimento.org/posts/2012/agosto/exportacoes-de-etanol-em-julho-tem-melhor/popup_impressao

Segundo a pesquisadora Maiara de Melo, “... desde o início da cultura canavieira se observam problemas como o desmatamento e o desgaste do solo. É um modelo econômico que nega e explora a natureza”. De fato, ambos os problemas apresentados mostram-se verdadeiros: o desmatamento ocorre na busca por mais e maiores áreas para o plantio da cana-de-açúcar, altamente lucrativo devido à alta demanda tanto de açúcar quanto de álcool; o desgaste do solo acontece associado ao uso de herbicidas, à utilização de queimadas, com o intuito de facilitar a colheita, e ao cultivo da cana em monoculturas, onde o solo torna-se infértil pelo esgotamento de seus nutrientes. 
 De forma geral, o sistema sucroalcooleiro possui três etapas: a agrícola, que consiste no processamento da matéria-prima, envolvendo fases de preparo do solo, plantio, tratos culturais, colheita e transporte até a usina; a industrial, a qual compreende a recepção da cana na usina, a lavagem, o tratamento do caldo e a produção de açúcar e álcool; e a de geração de energia, em que a energia produzida pelo processamento do bagaço é reaproveitada como suprimento energético da própria indústria.

Queimadas: um problema não só ambiental, mas de saúde pública.
http://pedlowski.blogspot.com.br/2011/06/
monocultura-da-cana-onde-ha-fumaca-tem.html
Nessas fases pode-se observar alto gasto de água (cerca de 1,4L para produzir 1L de álcool, segundo Ballester) e emissão de poluentes atmosféricos pela utilização de queimadas, caldeiras tecnologicamente atrasadas, torres de destilação e dornas de fermentação. Além disso, há formação de fuligem pelas queimadas, consumo de grandes quantidades de insumos químicos agressivos ao meio ambiente (e.g. óleo diesel, soda cáustica, óleos lubrificantes e graxas não biodegradáveis), mau gerenciamento dos resíduos industriais, falta de reservas florestais próximas às regiões de cultivo e uso de vinhaça como fertilizante, a qual é rica em nitrogênio, podendo causar a eutrofização de rios e lagos, quando em excesso.
O processo de produção do açúcar e do álcool desde a recepção da cana na usina.
http://www.tereosinternacional.com.br/show.aspx?idCanal=tYwYSsZvGxpbi5l/hf3gmA==

Processamento da cana-de açúcar: do canavial até as etapas finais do açúcar, etanol e energia.
http://pt.slideshare.net/DanianaSantos/t39-tcc-o-efeito-da-escala-em-processamento-de-cana-de-acar-estudo-de-casowilson-lucena

Visando a redução do impacto, existe uma lei (Nº 11.241/2002) que proíbe as queimadas, porém essa mudança deve acontecer gradativamente até 2017. Junto a isso, existem políticas de zoneamento agroecológico, indicando possíveis áreas para expansão, e de ordenamento do uso do solo, buscando seu uso sustentável. Outras medidas como o uso de tecnologias menos poluentes, a introdução, em larga escala, de controle biológico e a aplicação de adubos e fertilizantes orgânicos, podem ser tomadas no intuito de proteger o meio ambiente.
A cana-de-açúcar não é apenas mais um produto agrícola, mas uma importante fonte de biomassa energética. O grande desafio do Brasil agora é reduzir os impactos ambientais da atividade sucroalcooleira e, ao mesmo tempo, aumentar a produtividade, contribuindo para o crescimento econômico e proporcionando oferta de trabalho e geração de renda no país.

Autores: Marino da Motta Nanzer, Rafael Farina, Silvia Sayuri Mandai e Vanessa Thomé.


Bibliografia utilizada:

            

terça-feira, 24 de março de 2015

Cultivo e Comercialização de Vinho no Brasil e no Mundo

Não se sabe ao certo quando teve início a produção do vinho. Arqueologistas acreditam que o acúmulo de sementes de uva encontradas em escavações na Turquia, Síria e Rússia, e que datam cerca de 8000 a.C., possam indicar o suposto início do cultivo e produção da uva e do vinho. Segundo a bíblia, Noé teria plantado uma videira logo após o grande dilúvio, a qual posteriormente teria usado para produzir o vinho e se embriagar. Além disso, registros da celebração e da vinificação foram encontradas em pinturas expostas em túmulos egípcios que datam 1000 a 3000 a.C.. Nessas pinturas, processos como a colheita, a prensagem e a fermentação eram retratados com detalhes. Através dessas pinturas foi possível inferir que o vinho naquela época era limitado aos ricos, que o bebiam em taças e em festividades.
Os vinhedos, assim como os vinhos, também eram oferecidos aos deuses. Nesse contexto, destacam-se a mitologia grega e romana. Na mitologia grega, o deus do vinho Dionísio, filho de Zeus e Sémele, teve sua imagem atribuída à embriaguez e à fertilidade, sendo o vinho bebido com a intenção de afastar as preocupações. Para os romanos, o deus do vinho Baco se transforma em um leão, que luta e devora os gigantes que escalam o céu e, assim como Dionísio, tem sua imagem associada à embriaguez.
http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2011/279/imagens
/e-se-dionisio-02.jpg/image_large
A uva, matéria prima do vinho, é fruto da videira ou vinha (Vitis sp.). Existem diversas variedades de uva, denominadas castas ou cepas. Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay são uma das mais utilizadas na produção de vinho e provêm da Vitis vinifera, planta de origem europeia, que é capaz de acumular açúcar na proporção de ⅓ de seu volume.
O Brasil ocupa a 15ª posição no Ranking mundial de produção de vinhos e, de acordo com o IBRAVIN (Instituto Brasileiro do Vinho), apresenta seis regiões produtoras principais: o Planalto Catarinense (São Joaquim e Bom Retiro, SC), os Campos de Cima da Serra (fronteira entre SC e RS), a Serra Gaúcha (Bento Gonçalves), a Campanha Gaúcha e Serra do Sudeste (fronteira do Brasil com o Uruguai – Santana do Livramento) e o Vale do São Francisco (Petrolina - PE, Juazeiro - BA, Casa Nova - BA).            O cultivo da uva envolve três períodos: repouso, crescimento, elaboração. No primeiro a planta perde as folhas e entra em latência (Abril a Julho). O segundo é caracterizado pelo brotamento de folhas e floração (Agosto a Dezembro). No terceiro período há a produção de frutos e a colheita dos mesmos (Dezembro a Março). As uvas, então, passam pelo processo de fermentação, em que as moléculas de carboidrato, o açúcar, será transformado em álcool, gás carbônico e energia por meio do microorganismo Saccharomyces sp. Depois, o produto fermentado ainda pode passar pelos processos de estabilização, clarificação e filtração, engarrafamento e envelhecimento da garrafa.          
            Os principais países produtores de vinho se localizam entre as latitudes 30º e 50º e são Itália (1º),  França (2º), Espanha (3º) e Estados Unidos (4º). Outros países que se destacam na vitinicultura são Chile (10º) e Portugal (11º).
A primeira videira plantada no Brasil foi em 1532 por Brás Cubas na cidade de São Paulo, precisamente no atual bairro de Tatuapé. Com a vinda de italianos em 1875, iniciou-se a produção familiar de vinhos, muitas das quais ainda estão presentes  no mercado nacional. Foi só em 1970 que multinacionais se instalaram no Brasil, trazendo tecnologia, variedades de mudas e capital, expandindo a produção e a comercialização do vinho.
O Rio Grande do Sul ocupa o lugar de maior produtor brasileiro desde 1980, primeiro ano datado pela Embrapa, e em 2010 chegou a produzir cerca de 310 milhões de litros de vinho, um pouco a mais do que o dobro produzido em 1980. O último dado fornecido pela Embrapa sobre a produção do vinho no Brasil indica que a produção anual foi por volta de 376 milhões de litros, sendo que 358 milhões são provenientes do Rio Grande do Sul.

Em 2014, a Vinícula Miolo, que se localiza no Vale dos Vinhedos comercializou 100 mil caixas de vinho de janeiro a abril, o que levou ao faturamento de US$ 1,8 milhão e a expectativa para o ano era de, no mínimo, US$ 3 milhões, sendo que o principal comprador da Vinícula nesse ano foi a Bélgica. Além disso, houve incremento nas vendas na Alemanha e no Japão. Ainda em 2014, as demais vinículas do Wines of Brasil exportaram US$ 5,75 milhões nos quatro primeiros meses do ano, que já superava a meta esperada (US$ 5,5 milhões). A gerente do Wines of Brasil acredita que a Copa  tenha influenciado o aumento da exportação dos vinhos brasileiros.

Autores: Juliana Toshie Takata, Maiara Albanez Pereira, Rafaella Eduarda Volpi, Renan Lopes Rodrigues.

Bibliografia utilizada:


História da Fabricação de Cerveja

É difícil determinar a data exata em que a primeira cerveja foi produzida, mas acredita-se que tenha sido há mais de 10.000 anos, época em que o homem tomou conhecimento do processo de fermentação.  Especula-se que a descoberta da cerveja tenha ocorrido por acidente, possivelmente fruto da fermentação não induzida de algum cereal.
A primeira evidência arqueológica referente à produção de cerveja vem da Suméria, por volta de 6.000 a.C. Tratam-se de inscrições feitas numa pedra, relativas a um cereal que se utilizava em algo similar à produção de cerveja.  Os sumérios teriam percebido que a massa do pão, quando molhada, fermentava e, assim, imagina-se o surgimento de uma forma de cerveja primitiva, o “pão líquido”.
Na Antiguidade, a produção de cerveja era uma atividade caseira devido à natureza das matérias-primas utilizadas (grãos de cereais e leveduras), em que as mulheres eram encarregadas, já que elas também faziam os pães.  Durante o período babilônico, havia cerca de vinte diferentes tipos de cerveja, com base em diferentes combinações de plantas aromáticas  e no maior ou menor emprego de mel, cevada ou trigo. Hamurabi, rei da Babilônia, introduziu em seu famoso Código várias regras relacionadas à cerveja, como uma lei que decretava pena de morte a quem servisse cerveja de má qualidade.
Há registros de produção e consumo de cerveja também no Egito, Grécia e Roma. Na Idade Média, a cerveja ganhou um sabor mais parecido com o atual. Os gauleses passaram a fabricá-la com malte e os monges descobriram o lúpulo (Humulus lupulus, uma liana europeia) como conservante natural, utilizado também para dar amargor e aroma à cerveja.

A partir do século XIX a ciência e a técnica tornaram-se fundamentais para o produtor de cerveja. Em 1876, o cientista francês Louis Pasteur descobriu micro-organismos responsáveis pela deterioração do produto e que estes poderiam estar no ar, na água e nos equipamentos, o que fez com que limpeza e higiene se tornassem fundamentais dentro de uma cervejaria. Outros avanços ocorreram, como a separação de duas espécies de leveduras com metabolismos diferentes, feita por Emil Christian Hansen, originando as famílias Lager e Ale. Como a levedura influencia no sabor, a descoberta permitiu a padronização do sabor e qualidade da cerveja. 
No Brasil, a cerveja demorou a chegar, barrada pelos portugueses, que temiam perder o mercado de seus vinhos. Em 1808, a bebida foi trazida pela Família Real. A cerveja consumida pelos brasileiros era a gengibirra, produzida com gengibre, farinha de milho, casca de limão e água. Já a caramuru era uma mistura de milho, gengibre, açúcar mascavo e água, e fermentava durante uma semana.
Atualmente, os ingredientes para a fabricação de cerveja são água, lúpulo, malte (que tem origem na germinação de cereais sob condições ambientais controladas) e possivelmente adjuntos, como milho, trigo, cevada não maltada, arroz, aveia, açúcar e xaropes. No Brasil, o milho é um importante ingrediente da bebida e pode estar presente em, aproximadamente, até metade de sua composição. A cerveja mais consumida no país é a Pilsen, que se encaixa no tipo Lager. Trata-se de uma cerveja clara, leve e refrescante. Entretanto, o segmento de cervejas Premium produzido por cervejarias artesanais, as microcervejarias, e também por grandes empresas de marcas importadas vêm crescendo no país. Os custos fixos das cervejarias brasileiras são altos, visto que há investimentos em projetos, equipamentos e empregados. Porém, o diferencial da indústria cervejeira no Brasil é a forma como o produto é distribuído: a rapidez e o seu alcance.
                 Fonte: http://media-1.web.britannica.com/eb-media/69/74269-004-ABB99B13.jpg
Cada região do mundo segue alguns parâmetros para produção de cerveja, o que define as escolas cervejeiras. A escola alemã é regida pela Lei da Pureza, de 1516, que determina o que pode ser usado como ingredientes da bebida: apenas malte, cevada, água e lúpulo, além das leveduras, que não eram conhecidas na época. A cerveja tem qualidade técnica, mas sem espaço para criatividade e inovação. Já a escola inglesa produz cervejas mais amargas e secas. A escola belga, por sua vez, é composta por vários estilos, produzindo cervejas originais e complexas, podendo-se adicionar semente de coentro, casca de laranja e canela, entre outros. Recentemente, vêm se estabelecendo uma escola estadunidense, que é caracterizada pela nova interpretação de estilos de cerveja já existentes.
No Brasil, têm crescido o mercado de cervejas artesanais. A origem da cerveja artesanal é alemã e, de acordo com a tradição germânica, tem ingredientes limitados. No entanto, alguma cervejarias rejeitam a lei germânica e seguem a escola belga, mais elástica, e incorporam ingredientes como casca de laranja, pimenta-da-jamaica, alfarroba, rapadura e mandioca em busca de uma identidade nacional, aromas e sabores diferentes.     


Autores: Laura Braun Cano, Luiza Dias Ferreira Leite Mendonça, Olivia Ambrosini e Wendy Ishimoto


Bibliografia utilizada:

terça-feira, 17 de março de 2015

As palmeiras nativas e suas fibras

Todos os produtos hoje utilizados e produzidos pelo ser humano possuem como matéria-prima produtos naturais. Estes produtos podem ser de origem animal, mineral ou vegetal por exemplo. Em todas as épocas e culturas, as fibras vegetais foram úteis em trançados, fixação, vestuários, adornos, cordoaria, alimentos e outros usos econômicos, culturais e arquitetônicos, fundamentais ao desenvolvimento das relações sociais e econômicas internas e externas entre povos e culturas.
O tecido vegetal esclerênquima é formado por dois tipos de células: os esclereídes, ou células curtas, e as fibras esclerenquimáticas, células alongadas, resistentes e flexíveis que são o principal componente das fibras vegetais. Atualmente, as fibras vegetais possuem diversas aplicações industriais e comerciais em muitas atividades cotidianas fundamentais à economia, saúde humana e animal, construção civil, vestuário, cosméticos e indústria automobilística.

As fibras vegetais são formadas por diversos componentes químicos constituídos a base de Hidrogênio (H) e Carbono (C), sendo os principais a celulose, a hemicelulose e a lignina. De acordo com a sua origem as fibras vegetais podem ser agrupadas em fibras de semente, raiz, caule, folhas e fruto do coco.
As palmeiras são importantes fornecedores de fibras. Dá-se o nome de palmeira às árvores pertencentes á família Arecaceae. No Brasil, ocorrem 390 palmeiras nativas, sendo a maioria originaria da região amazônica, que conta com 290 espécies.  Das palmeiras podem ser extraídos diversos produtos, que são importantes principalmente em comunidades tradicionais. Dessa forma, estas plantas apresentam importância no mercado local, nacional e internacional, seja na produção de palmito, polpa, fibras ou óleos.
Atualmente diferentes tecnologias recebem investimentos que objetivam a elaboração de materiais sintéticos que imitam as fibras naturais, mas especialmente que otimizam o uso e a aplicação destas fibras, dado a larga utilidade e qualidade como material.
 Buriti
 O buriti foi classificado pelos naturalistas estrangeiros como umas das árvores da vida, pois dele se aproveita tudo. As fibras, retiradas das folhas do buriti, são bastante utilizadas no artesanato nordestino.  O talo mais duro serve para fazer cestas e cabos de vassoura. As tiras mais grossas são utilizadas na fabricação de tapetes e esteiras e as mais finas são usadas em para confeccionar bijuterias, chapéus, bolsas, toalhas de mesa, brinquedos, etc.
 Coco
As características da fibra, como coloração uniforme, elasticidade, durabilidade e resistência à tração e à umidade, oferecem muitas possibilidades de utilização como matéria-prima natural para a indústria na fabricação de xaxins, esteiras, cordas, tapetes, escovas, vassouras. A fibra de coco também pode auxilia na área agrícola como matéria-prima para controle de erosão e repovoamento da vegetação de áreas degradas. Por sua lenta decomposição, protege o solo diminuindo a evaporação, aumentando a retenção e a atividade microbiana do solo. Tem-se também utilizado esta fibra como reforço em matrizes poliméricas, por exemplo, em compósitos com plásticos, apresentando vantagens quando comparada a outros materiais sintéticos, com relação a biodegradabilidade e a reciclabilidade.

 Jarina
O marfim-vegetal ou jarina (Phytelephas macrocarpa) é uma palmeira de crescimento lento com belas frondes que brotam diretamente do chão. Logo abaixo das folhas nascem grandes aglomerados fibrosos que consistem em frutos lenhosos bem compactos. As folhas (palhas) são utilizadas na cobertura de casas por populações locais e as fibras para confecção de cordas. Contudo, a parte mais usada da planta é a semente sendo a mais nobre da Amazônia para uso em biojóias. O marfim vegetal é uma alternativa ecológica e prática, por se parecer com o de origem animal. 

 Piassava
A palmeira Attalea funifera Martius, conhecida por piaçava ou piaçaba, é espécie nativa e endêmica do sul do Estado da Bahia. Produtora de fibra longa, resistente, rígida, lisa, de textura impermeável e de alta flexibilidade, essa palmeira se desenvolve bem em solos de baixa fertilidade e com características físicas inadequadas para a exploração econômica de muitos cultivos.  A importância econômica da piaçaveira está na extração das suas fibras industriais, destacando-se a fabricação de vassouras, enchimento nos assentos de carros, cordoaria e escovões.  

Autores: Caio César Damasceno Monção, Florença Freitas Silvério, Fernanda E. Arab, Loyná  Eua Flores e Paez.

Bibliografia utilizada:

Quatro Gossypium e um gene viajante

O algodão tem sido utilizado há milhares de anos, e sua domesticação remonta a mais de 6000 anos atrás, sendo que vários povos isolados fizeram uso do recurso independentemente, como os índios brasileiros, incas e árabes. E mais, estes povos criaram instrumentos de manejo do algodão muito similares para a fabricação de tecido. Na Europa, ele foi introduzido durante a invasão árabe na Península Ibérica no início do século VIII.
No entanto, o algodão só começou a ganhar mais destaque nos mercados mundiais durante a Revolução Industrial, com a criação de máquinas que facilitavam a manufatura de tecido, criando uma grande demanda por algodão. Diante deste cenário, o americano Eli Whitney patenteou uma máquina descaroçadora de algodão, que separava as sementes das fibras. Esta máquina era tão eficiente que aumentava a velocidade do processo em dez vezes. Assim, a produção de algodão cresceu tanto nos Estados Unidos, com uma crescente demanda, que a produção do insumo valia mais que todos os outros produtos americanos somados. A mão de obra da época era composta de escravos, e como muitos trabalhadores eram necessários para manter toda esta indústria, a quantidade de escravos negros nos EUA se tornou absurda, mesmo após a proibição do tráfico. Isto mudou os rumos da escravidão no país, e o grande número de escravos foi um dos principais fatores que levou à Guerra da Secessão.
Hoje em dia, a palavra “algodão” se refere a um grupo de 50 espécies do gênero Gossypium (Malvaceae) encontradas naturalmente no sudeste do México, nordeste da África e Arábia, e na Austrália. Contudo, quatro dessas espécies são comercialmente mais utilizadas devido à qualidade das fibras presentes em suas sementes: G. hirsutum, G. barbadense, G. arboreum e G. herbaceum.          
Além da importância agrícola do grupo, o gênero Gossypium é um excelente modelo de estudo dos mecanismos de hibridização, biogeografia, alongamento celular e biogênese de parede celular. As caracterítiscas das fibras e a seleção das espécies de maior importância econômica são resultado destes estudos, e pesquisas de engenharia genética e fisiologia vêm buscando formas de maximizar a produtividade da agricultura.
Apesar de ser denominada “fibra de algodão”, o termo mais apropriado é tricoma. Essas células são formadas da epiderme do óvulo durante a abertura da flor, passando por 4 etapas; diferenciação da fibra, alongamento celular, deposição da parede secundária e maturação.
Sementes maduras das subespécies tetraplóides de Gossypium hirsutum (A e B, respectivamente), as espécies tetraplóides de G. tomentosum (C), G. arboreum (D), G. herbaceum (E) e as espécies diplóides de G. raimondii (F), G. davidsonii (G), G. longicalyx (H), G. anomalum (I) e G. sturiianum (J). Variações do tamanho da semente e as características das fibras de A – J são evidenciadas no painel K. (Extraído de WENDEL; APPLEQUIST; CRONN 2001).
Entre as 50 espécies de algodão já descritas, as comercialmente mais utilizadas são alotetraplóides - um tipo de poliploidia onde os cromossomos derivam de espécies diferentes, no caso, quatro vezes cada cópia dos cromossomos -, e a maioria restante, diplóide. Acredita-se que a poliploidia foi o fator decisivo na escolha dessas espécies em razão da diminuição da homozigose e a expressão de genes quantitativos relacionados às características das fibras. Assim, o termo “qualidade da fibra” refere-se à graduação dessas características, facilitando as transações comerciais desse insumo.
A economia algodoeira movimenta hoje aproximadamente 12 bilhões de dólares, mais de 30% da indústria têxtil. O Brasil desponta como um dos maiores consumidores do produto, o que explica sua posição como terceiro maior produtor e quinto maior exportador mundial. Outros países que se destacam também são os Estados Unidos, Índia, China e Paquistão.
Por ser uma fibra têxtil de origem vegetal, o algodão é, entre as principais fibras, a de produção mais sustentável, por não requerer tanta água durante o crescimento ou alterações químicas durante a manufatura. Além disto, do algodoeiro também são utilizadas várias partes da semente, que dão origem a compostos que estão muito presentes na indústria alimentícia humana e animal, como óleo e proteínas.

Autores: Aline Maria Lucchetta, Enrico Cerioni Spiropulos Gonçalves, Guilherme Garcia Costa e Rodrigo Guedes Hakime.  

Bibliografia utilizada: 
  • ABRAPA (Associação Brasileira de Produtores de Algodão) – Estatísticas: O algodão no mundo. Disponível em: www.abrapa.com.br/estatisticas acesso em 14/03/2015.
  • BRADOW J. M., DAVIDONIS G. H. Quantification of Fiber Quality and the Cotton Production-Processing Interface: A Physiologist’s Perspective. The Journal of Cotton Science, Vol. 4, p. 34-64, 2000.
  • COMAI L. The Advantages and Disadvantages of Being Polyploid. Nature Reviews, Vol. 6, p. 836-846, 2005.
  • COTTON TODAY – About Cotton Susteinability: Cotton vs. Other Fibers. Disponível em: cottontoday.cottoninc.com/sustainability acesso em 14/03/2015.
  • DAVIS K. C. How inventions change history (for better and for worse), TED-Ed, 2012.
  • EMBRAPA, Cultura do Algodão Herbáceo na Agricultura Familiar-Subprodutos do algodão, 2003. Disponível em: sistemasdeproducao.cnptia.embrapa.br acesso em 14/03/2015.
  • HISCOCK S. J., HEGARTY M. J. Genomic Clues to the Evolutionary Success of Polypliod Plants. Current Biology, Vol. 18, p. R435-R444, 2008.
  • SEAGULL R. W., OLIVERI V., MURPHY K., BINDER A., KOTHARI S. Cotton Fiber Growth and Development 2 – Changes in Cell Diameter and Wall Birefringence. The Journal of Cotton Science, Vol. 4, p. 97-104, 2000.
  • The Biology and Ecology of Cotton (Gossypium hirsutum) in Australia. Office of the Gene Techonology Regulator, 2002.
  • TRIPLETT B. A., KIM H. J. Cotton Fiber Growth in Planta and in Vitro. Models for Plant Cell Elongation and Cell Wall Biogenesis. Plant Physiology, Vol. 127, p. 1361- 1366, 2001.
  • WENDEL J. F., APPLEQUIST W. L., CRONN R. Comparative development of fiber in wild and cultivated cotton. Evolution and Development, Vol. 3, p. 3-17, 2001.
  • WENDEL J. F., BRUBAKER C., ALVAREZ I., CRONN R., STEWART J. McD. Evolution and Natural History of the Cotton Genus. Retirado de: Andrew H. Paterson (Ed.). Genetics and Genomics of Cotton. Plant Genetics and Genomics: Crops and Models, Vol. 3, p. 3-22, 2009.

segunda-feira, 9 de março de 2015

O extrativismo da madeira no Brasil

O extrativismo é a mais antiga atividade humana, praticada mundialmente por todas as sociedades, e se define por toda a atividade de coleta de produtos naturais. Inicialmente, os recursos eram vistos como matérias-primas inesgotáveis, porém com o avanço da tecnologia e o aumento da população, foi observado que esses recursos eram esgotáveis, assim surgiu um novo perfil de extração baseado no manejo e na sustentabilidade. Dentre as matérias-primas exploradas, a madeira se destaca pela sua alta versatilidade, como pode ser visto na tabela 1 da ABIMCI. 
ABIMCI 2003 - Associação brasileira da indústria 
da madeira processada mecanicamente.
A madeira explorada no Brasil economicamente possui os seguintes destinos: 1) indústria, como a produção de papel e celulose, neste caso a madeira provém de florestas plantadas de pinus e eucalipto. 2) Processamento mecânico, quando a madeira é primariamente processada em serrarias, depois beneficiada e utilizada na construção civil, em móveis e outros serviços. 3) Produção de energia a partir de carvão vegetal, esta é a finalidade mais custosa e precária das três.
Atualmente, a madeira é explorada de duas formas no Brasil, legalmente e ilegalmente. Para a explorar a madeira legal, é necessário a Autorização de Exploração (AUTEX) que é concedida pelo órgão ambiental competente. Essa exploração pode ocorrer de três formas: por um plano de manejo florestal sustentável (PMFS), por uma autorização de desmatamento para uso alternativo do solo ou autorização para supressão da vegetação, sendo que nestes dois últimos casos o plano de manejo é facultativo, logo são formas legais, mas não sustentáveis.
Já a exploração ilegal ocorre clandestinamente sem certificação de exploração. E é caracterizada pela ação rápida, predatória e devastadora de grandes áreas nativas, estando entre essas áreas de proteção permanente. Estima-se que na região amazônica, 80% da extração é ilegal.
A Amazônia legal, ocupa 60% da área florestal brasileira, esta por sua vez ocupa aproximadamente 65% do território brasileiro. Até 2005 já havia sido removidos 18% dos 4.2 milhões de km² originais da floresta brasileira, o que equivale a uma devastação do tamanho dos estados do RS, SC, PR, RJ e ES juntos. Sendo a extração de madeira e o avanço da pecuária os principais responsáveis por esta devastação. 44% do carbono orgânico na floresta está presente na madeira. Nas árvores o carbono tende a se concentrar na produção da biomassa da copa até o crescimento, quando passa a se fixar no tronco. As raízes fixam 19% do carbono total das florestas. No solo a entrada de carbono chega a 100 m de profundidade, embora se concentre 77% na camada de 0 até 20 cm. Logo, além da evidente crise na biodiversidade causada pela atividade predatória, há também um risco envolvendo a emissão de carbono, num contexto crescente do aquecimento global. Estes dados apontam para a urgência de se reduzir desmatamentos ilegais e a concentração de explorações legais no Brasil. Diminuir o desmatamento não significa, contudo, prejudicar o desenvolvimento da região, manter a floresta intacta e marginalizar sua gente. Pelo contrário, a Amazônia tem um potencial enorme para o desenvolvimento sustentável baseado no desenvolvimento da sua vocação florestal, por um lado, e pela intensificação da agricultura e recuperação florestal nas áreas já abertas.
O manejo florestal sustentável é a alternativa hoje mais eficiente para desenvolver economicamente regiões de floresta, respeitando-se também aspectos sociais e ambientais, comercializando-se não só madeiras mas também outros produtos florestais de forma a permitir a regeneração da floresta.
Sabogal 2006 aponta que o manejo florestal tem sido prescrito para evitar os efeitos negativos da exploração madeireira, embora ainda ainda nao seja intensivamente utilizado: diversos programas de pesquisa tem sido realizados desde a decada de 1990 para promover a adoção do manejo florestal, Na esfera de políticas públicas, a adoção do manejo florestal é uma das grandes prioridades. Além disso, a promoção do manejo florestal é uma das prioridades dos governos do Acre (desde 1999) e Amazonas (a partir de 2003). Entretanto, embora as técnicas de manejo florestal tenham sido intensivamente aprimoradas na Amazônia brasileira nas duas ultimas décadas, os avanços na sua adoção pelas empresas madeireiras ainda são modestos. Segundo o IBAMA a exploração predatória, não manejada, em 2005 ainda representava 62% dos processos de extração madeireira.


Autores: Andersom Rosário Prado, Danilo Sasso Augusto, Gabriel José de Carlo, João Pedro Trevisan dos Santos, Vitor Antonelli Breda


Bibliografia utilizada: 
  • BALBINOT, Rafaelo; SCHUMACHER, M. V.; WATZLAWICK, L. F.; SANQUETTA, C. L. “Inventário do carbon organic em um plantio de pinus taeda aos 5 anos de idade no Rio Grande do Sul”, Revista Ciências Exatas e Naturais, vol. 5 n. 1, UNICENTRO, jan/jun, 2003.
  • CARVALHO, R.M.M.A; SOARES, T.S.; VALVERDE, S.R.; Produtividade do Setor Florestal Brasileiro, Revista Científica Eletrônica de Engenharia Florestal, Ano II, Número 3, 2004
  • SABOGAL, César; LENTINI, B. P; SILVA, J. N. M.; ZWEEDE, J; VERÍSSIMO, A; BOSCOLO, M. Manejo Florestal Empresarial na Amazônia Brasileira: restrições e oportunidades. Belém, CIFOR – Center for International Foresty Research, 2006.
  • SANTOS, Thereza Christina Carvalho; CÂMARA, João Batista Drummond (orgs.). Geo Brasil 2002 – Perspectivas do Meio Ambiente no Brasil. Brasília: Edições IBAMA, 2002.
  • http://www.ambiente.sp.gov.br/madeiralegal/madeira-legal-vs-madeira-ilegal/acessado em 09/03/2015.
  • http://www.greenpeace.org/brasil/pt/O-que-fazemos/Amazonia/?gclid=CJaa3Zrbm8QCFY9m7Aod7 nAA5g acessado em 09/03/2015.

Madeira de Lei

O termo “Madeira de Lei” surgiu por volta do século XIX, no Brasil Colônia. Criado pela corte de Portugal referia-se as madeiras que só poderiam ser extraídas com autorização do governador, por serem espécies mais fortes e resistentes, as quais os portugueses tinham especial interesse para construção de navios de guerras e mercantes.
Imagem disponível em: http://www.ceplac.gov.br/restrito/
imgNot/201004/paubrasil01.jpg. Acesso em: 09 mar. 2015.
O Pau-Brasil foi a primeira árvore a ser classificada como madeira de lei, para evitar possíveis contrabandos; outras como a peroba e o jatobá também eram consideradas importantes e classificadas como tal.
Após a independência do Brasil, as regras da Coroa deixaram de ter validade, mas a expressão “Madeira de Lei” não deixou de existir, embora seu significado tenha sido um pouco alterado.
Atualmente, tal termo é usado com sinônimo de madeira boa, ou seja, as nobres ou de maior interesse comercial. De acordo com a portaria normativa IBDF 302/84, “Madeira de lei” é definida como “Espécies de valor comercial, as quais são utilizadas principalmente em indústrias, como as serrarias, as fábricas de móveis, de compensados e de laminados, etc”. Essa definição é complementada por outra encontrada no “Dicionário do Engenheiro”, 2ª edição, p. 403: “madeira nobre, dura e resistente às intempéries, capaz de resistir ao ataque de insetos - cupins, brocas e fungos”. Esta resistência ocorre devido a produção de substâncias químicas específicas, que podem levar a planta a viver mais de centenas de anos. Outras características são específicas das madeiras de lei, tais como a presença de cores marcantes, que vão do bege-amarelado passando pelo amarelo, vermelho a marrom escuro, dependendo da espécie; o aspecto liso e lustroso da superfície; e a pouca distinção entre cerne (parte interna) e alburno (parte externa). Dependendo do grau de dureza ou trabalhabilidade o uso de cada espécie tem destinos preferenciais. Assim, madeiras duras e pesadas servirão para portas de segurança, pisos ou móveis pesados como tampos de grandes mesas; sendo essas o Ipê, o Pau-ferro, o Jatobá, o Jacarandá, o Angelim.
O desmatamento desenfreado fez com que boa parte das madeiras de lei praticamente desaparecesse das nossas matas. Sendo assim, o governo entrou com algumas medidas na tentativa de minimizar o problema. Uma das medidas foi a restrição do uso dessas madeiras, ou seja, alguns móveis vendidos hoje como "padrão mogno", por exemplo, são na verdade feitos com madeiras bem menos resistentes, apenas revestidos por uma fina camada da espécie nobre. Além disso, foram criadas leis que classificam o corte de madeira de lei sem a autorização governamental como crime, podendo levar a até dois anos de prisão. Entretanto, mesmo com tais medidas, muitas espécies de madeiras de lei ainda possuem uma ocorrência quase nula nas matas brasileiras, em função da exploração predatória ilegal.

Autores: Carla Kuhl de Figueiredo, Elis Regina Mesquita Pereira, Isabela Gerdes Gyuricza, José Ikeda Neto e Marcela de Oliveira Silva.

Bibliografia utilizada: